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Posto de Escuta

Achados numa página ou rua algures.

Achados numa página ou rua algures.

17.12.25

Aldo Leopold, no seu livro "Pensar como uma montanha" (Maldoror, 2023):

"A terra portanto, não é meramente solo; ela é uma fonte de ehergia que flui através de um circuito de solos, plantas e anımais. As cadeias alimentares são os canais vivos que conduzem a energia para cima; a morte e a putrefacção reconduzem-na para o solo. O circuito não está fechado; alguma energia dissipa-se na putrefacção, outra é aumentada ao ser absorvida pelo ar, alguma é armazenada nos solos, na turfa e em forestas de grande longevidade; mas é um circuito permanente, como um fundo giratório de vida que vai lentamente aumentando."

20.09.25

"Neurobiologicamente, amor e o ódio são muito distintos? 
Parecem antagónicos, mas estudos de neuroimagem mostram que tanto o amor quanto o ódio activam áreas semelhantes no cérebro, ligadas a emoções intensas e comportamentos impulsivos. Ambos podem coexistir e até alternar-se em relações afectivas complexas. O oposto do amor, na neurobiologia, não é o ódio, mas a indiferença: esta não activa as regiões emocionais, e, por isso, representa o verdadeiro afastamento afectivo."

Luísa V. Lopes, em entrevista ao suplemento Ímpar, do Público (31/07/25).

19.09.25

"Cultura é o sistema de ideias vivas que cada época possui. Melhor: o sistema de ideias das quais o tempo vive."

Jose Ortega y Gass, citado na rubrica "Escrito na pedra", do jornal Público.

19.09.25

"Como qualquer ferramenta, também a tristeza tem um uso próprio. Há campos que só conhecem a abundância depois dessa lavoura."

José Luis Peixoto, citado na rubrica "Escrito na pedra" do jornal Público.

04.09.25

Jenny Diski, no livro "Desconhecida num comboio":

"Por vezes, quando tenho um dos gatos no colo, experimento uma daquelas raras sensações de existir inteiramente no momento presente, de apreender a realidade daquele momento com uma luz ofuscante e de fazer parte de qualquer coisa extraordinária. Pasma-me que uma criatura de outra espécie, absolutamente diferente de mim, me honre com a sua presença e confiança, sentando-se no meu colo e permitindo-me que a afague. Nessas alturas, sinto que esse instante doméstico comum é tão colossal como estabelecer contacto com outra vida inteligente, noutra ponta do universo. Esta criatura, com a sua consciência, outra consciência, e eu com a minha temos a capacidade de ficar sentadas em silêncio, a desfrutar da presença uma da outra. É notável.

Aliso o pêlo do gato, sentindo-lhe os músculos sob a pele flácida, e percorro a estrutura do seu esqueleto, espinha dorsal, omoplatas e crânio, com os meus dedos massajadores, enquanto ele ali fica e ronrona ao prazer do contacto físico, encorajando a exploração das minhas mãos com marradinhas da cabeça e do corpo contra elas, virando a carinha de um lado para o outro. Para receber atenção extra aqui ou ali. É uma cena perfeitamente quotidiana, mas, por vezes, o facto de outro ser vivo me admitir na sua vida deixa-me sem fôlego."

03.09.25

Jenny Diski, no livro "Desconhecida num comboio":

"Raramente encetei relações fosse de que espécie fosse com alguém que não se esforçasse mais do que eu, que, de uma ou outra maneira não insistisse. É um mecanismo de segurança da minha psique. A ideia da rejeição paralisa-me. Se há sedutores compulsivos neste mundo, também há quem busque compulsivamente ser seduzido. Na escala das coisas pelas quais eu não correria riscos emocionais, a amizade está acima da relação sexual. Para mim, é mais misteriosa, mais perigosa do que uma aventura sexual, que consigo facilmente desprezar enquanto jogo e da qual me consigo afastar com um mero encolher de ombros. Talvez por eu ter nascido nos anos sessenta, ou qualquer coisa do género. O sexo pode ser uma coisa séria, mas não tem de ser. A amizade parece-me uma matéria muito mais densa, mas, ao mesmo tempo, uma coisa à qual nunca apanhei o jeito."

09.08.25

"A carriça chilreava a sua delicada cançãozinha, bem escondida na orla da margem do rio. Apesar de já passar das dez da noite, o céu ainda envergava e retinha algumas vestes persistentes da luz do dia que acabara; e os calores obstinados da tarde tórrida quebraram-se e dispersaram ao toque dos dedos frescos da breve noite estival."

Excerto de "O Vento nos Salgueiros", de Kenneth Grahame.

28.07.25

"Numa breve passagem que reverbera de significados ambivalentes no entanto, Werner Herzog considera o século XX "um horror", "um erro". Acontece no decurso de um curto manifesto antipsicanálise que talvez involuntariamente também se torna numa boa parábola sobre o cinema: "mais rapidamente preferia morrer do que ir a um psicanalista (..) quando se ilumina todos os cantos de uma casa esta torna-se inabitável", que é uma coisa que também se podia dizer dos filmes que trazem os cantos todos iluminados."

Luís Miguel Oliveira, num artigo do Ípsilon sobre o livro "Cada um por si e Deus contra todos", de Werner Herzog.

18.03.25

Achei curiosa esta descrição (ou enumeração?) de Eça de Queirós pelo Presidente da República, citado por Lucinda Caneas em artigo do jornal Público, no dia 8 de janeiro:

Referindo-se a Eça como o escritor que "todos temos na cabeça", o Presidente não poupou elogios à sua obra, destacando nela "o fresco de uma época, a malícia de uma situação, a ductilidade de um advérbio, a justeza de um adjectivo, o luxo de uma descrição, o génio de um retrato, a verve de um estrangeirismo, a lucidez de um reparo, a ironia auto-irónica, uma melancolia ligeira, uma elegância sem falhas, uma modernidade cosmopolita, um à-vontade com os debates intelectuais, um patriotismo descontente, um pessimismo distanciado".

18.12.24

João Lopes, num post intitulado "A morte quotidiana do pudor", no blog sound + vision:

Os exemplos de utilização dos telemóveis não passam de uma gota de água num oceano de relações humanas em que o pudor é quotidianamente assassinado em nome de uma indiferença visceral. Indiferença em relação aos outros, sem dúvida, mas também indiferença de cada um em relação às singularidades e enigmas da sua própria identidade.

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