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Posto de Escuta

Achados numa página ou rua algures.

Achados numa página ou rua algures.

18.12.25

Aldo Leopold, em "Pensar como uma montanha" (Maldoror, 2023):

"A capacidade de apreender o valor cultural da natureza selvagem reduz-se, em última análise, a uma questão de humildade intelectual. O homem moderno de mente superficial, que perdeu o seu enraizamento na terra, julga que descobriu já o que é importante; ele é do género de se pôr a palrar de impérios, políticos ou económicos, que hão-de durar mil anos. Só o estudioso compreende e aprecia que toda a história consiste em sucessivas excursões a partir de um único ponto de partida, ao qual o homem regressa uma e outra vez para organizar mais uma busca com vista a uma escala duradoura de valores. Só o estudioso compreende por que razão a crua natureza selvagem confere nitidez e significado à aventura humana."

17.12.25

Aldo Leopold, no seu livro "Pensar como uma montanha" (Maldoror, 2023):

"A terra portanto, não é meramente solo; ela é uma fonte de ehergia que flui através de um circuito de solos, plantas e anımais. As cadeias alimentares são os canais vivos que conduzem a energia para cima; a morte e a putrefacção reconduzem-na para o solo. O circuito não está fechado; alguma energia dissipa-se na putrefacção, outra é aumentada ao ser absorvida pelo ar, alguma é armazenada nos solos, na turfa e em forestas de grande longevidade; mas é um circuito permanente, como um fundo giratório de vida que vai lentamente aumentando."

29.10.25

Gary Snyder fez este curioso parêntesis no seu "A Prática da Natureza Selvagem" (Antígona, 2018):

"Thoreau diz em Caminhada que uma área com trinta quilómetros de diâmetro será suficiente para ocupar uma vida inteira de minuciosa exploração a pé — nunca se conseguirá esgotar os seus detalhes."

18.09.25

Gary Snyder, no seu "A Prática da Natureza Selvagem" (Antígona, 2018):

"Há dois tipos de conhecimento. Um é aquele que nos enraíza e nos situa na nossa verdadeira condição. Sabemos distinguir o norte do sul, o pinheiro do abeto, sabemos em que direcção pode ser encontrada a lua nova, de onde vem a água, para onde vai o lixo, como apertar mãos, como afiar facas, como funcionam as taxas de juro. Em si mesmos, conhecimentos deste género podem engrandecer a vida pública e salvar espécies em perigo. Nós adquirimo-los revivificando a cultura, que é um processo semelhante ao de reabitar: mudar-se para um terreno que foi mal usado e se encontra meio esquecido - e aí replantar árvores, desentubar leitos de rio, partir asfalto. Mas que fazer - dirão alguns - quando já não resta qualquer "cultura"? Resta sempre alguma tal como restam sempre (não importa onde) lugares e línguas. A nossa cultura reside na família e na comunidade, e ilumina-se quando começamos a trabalhar juntos, ou a jogar, a contar histórias, a representar"

06.08.25

"Primeiro, começamos a sentir uma doce inquietude a agitar-se dentro de nós; depois, as recordações vão voltando, uma a uma, como pombos-correios. Esvoaçam pelos nossos sonhos, durante a noite, voam connosco nos nossos rodopios e voltas, durante o dia. Ansiamos por fazer perguntas umas às outras, por comparar memórias e por ter a certeza de que tudo foi realmente verdade, ao mesmo tempo que os aromas, sons e nomes de locais há muito esquecidos regressam gradualmente e nos fazem sinais para voltarmos."

Excerto de "O Vento nos Salgueiros", de Kenneth Grahame.

13.03.25

Ainda Peter Wohlleben, no seu "As Lições das Árvores".

"Os investigadores pensam o seguinte: as florestas evaporam quantidades monstruosas de água através das suas folhas. Por metro quadrado de floresta, as várias camadas das copas das árvores perfazem até 27 metros quadrados de superfície de folhas, de cujas inúmeras boquinhas minúsculas as árvores exalam humidade. Num dia quente de verão, uma velha faia exala até 500 litros de água, que arrefecem a floresta e que sobem para a atmosfera sob a forma de vapor. A intensa atividade de evaporação nas grandes zonas florestais produz massas de ar ascendentes, que geram uma zona de baixas pressões local. Uma zona de baixas pressões tem uma pressao atmostérica menor do que a área circundante, por isso o ar nesta zona forma uma corrente. Também poderíamos dizer da seguinte forma: as florestas sugam ar fresco dos oceanos e fazem-no a longas distâncias. Este ar húmido oceânico sobe então por cima das florestas, arrefece e essa água chove"

11.03.25

"Para a água subterrânea, saber qual é a floresta que tem por cima é uma pergunta bastante mais séria. Nas profundezas, o que importa é o que resta depois de todos os processos. Até uma simples gota chegar lá abaixo, já muita água foi evaporada nas copas das árvores, muita escorreu pelo chão e muita se infiltrou e ficou armazenada no húmus e no solo. Não nos devemos esquecer da quantidade de água que uma única árvore adulta consome: Num dia quente de verão, ela pode beber até 500 litros."

Peter Wohlleben, no livro "As Lições das Árvores".

26.02.25

Em The Extended Phenotype (O Fenótipo Alargado), Richard Dawkins observa que os genes não fornecem apenas instruções para a construção do corpo de um organismo. Também providenciam instruções para construir certos comportamentos. O ninho de uma ave faz parte da expressão externa do genoma da ave. A represa de um castor faz parte da expressão externa do genoma do castor. E o apertão de morte de uma formiga faz parte da expressão externa do genoma do fungo Ophiocordyceps. Através dos comportamentos herdados, diz Dawkins, a expressão externa dos genes de um organismo — o seu fenótipo — estende-se ao mundo.

Merlin Sheldrake, em "A Vida Secreta dos Fungos: Como Constroem o Mundo, Mudam o Nosso Presente e Moldam o Futuro".

19.12.24

Gary Snyder, no seu livro "A prática da natureza selvagem":

Uma vez extintos, os grandes vertebrados altamente adaptados jamais regressarão nas formas sob as quais os conhecemos.
Podem decorrer centenas de milhões de anos até que o equivalente a uma baleia ou a um elefante surjam de novo, se é que voltam a surgir. A actual escala da perda excede tudo o que o planeta já viu. «A morte é uma coisa, o fim do nascimento é outra, bem diferente» (Soule e Wilcox, 1980).

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