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Posto de Escuta

Achados numa página ou rua algures.

Achados numa página ou rua algures.

05.03.26

"Hoje, o comboio que atravessa Portugal de um lado a outro é um veículo sentimental, visitando paisagens construídas ao longo dos carris, memórias desse outro tempo em que a nossa geografia era também possível distribuída por estações, apeadeiros, ramais, jardins floridos em estações solitárias. Poucos são os que viajam de comboio querendo viajar de comboio - utilizamos, antes, meios de transporte, sempre mais rápidos que o antigo e quase monótono ritmo de uma locomotiva a subir e a descer por vales, a demorar-se no horizonte quase branco de uma planície.

Por isso, os amantes de comboios são gente rara, coleccionadores de emoções repartidas por partidas e chegadas de recordações de viagem a uma estação que geralmente fica desenhada no interior do coração, de viagens nocturnas por lugares desconhecidos, por travessias de um país que conserva os seus carris mas os vai esquecendo perigosamente."

Francisco José Viegas, em "COMBOIOS PORTUGUESES: Um Guia Sentimental" (Círculo de Leitores, 1988).

04.03.26

"É triste o mundo estar a desaparecer, lenta ou apressadamente.

O último viajante da Linha do Douro chorará de tristeza.

É o mais belo dos lugares do mundo, se comparado com outros de ainda igual beleza. É mais prateado dos rios, este rio de ouro, de água brilhante onde as estrelas poisaram para alegria dos que sabem vê-las. É um dos paraisos onde o comboio ainda circula."

Francisco José Viegas, em "COMBOIOS PORTUGUESES: Um Guia Sentimental" (Círculo de Leitores, 1988).

03.03.26

"No comboio que eu tanto amo. O comboio a que põem um nome, e outro, e outro: primeiro. um nome que condiz com a região por onde passa, depois, mais tarde, um nome que não diz nada. Mas o comboio, esse, é sempre o mesmo, com ou sem nome. Este comboio acorda sempre em mim os mesmos sentimentos. Os mesmos desejos. Uma voracidade de partir o coração pela terra que se vê da janela. Vivia num comboio, se alguém me desse um."

Sam Shepard, citado por Francisco José Viegas, em "COMBOIOS PORTUGUESES: Um Guia Sentimental" (Círculo de Leitores, 1988).

18.02.26

"verificar como o comboio utiliza admiravelmente a paisagem, acordar de madrugada numa estação desconhecida, atravessar uma fronteira no interior de um comboio -- isso são prazeres que um amante de comboios não esquece nunca. Parece que tudo isso foi feito para uma nostalgia muito especial, uma nostalgia feita de ternuras e de contos policiais lidos com êxtase e vontade de repetir emoções já vividas por outros."

Francisco José Viegas, em "COMBOIOS PORTUGUESES: Um Guia Sentimental" (Círculo de Leitores, 1988).

23.01.26

"Há uma certa altura do crepúsculo em que todos os homens parecem atraentes, todas as mulheres belas e, ao vaguear lentamente e sem rumo dia após dia, Hanrahan penetrava cada vez mais profundamente nesse crepúsculo Celta, em que o céu e a terra se confundem de tal forma que ambos parecem tomar para si a sombra da beleza do outro."

Onde Nada Existe, W.B. Yeats (Relógio D'Água, 2000, tradução de Margarida Vale de Gato).

07.01.26

Excerto de "Caminhar Uma Filosofia", de Frédéric Gros:

"O caminho não liga, atravessa. Abre este bosque ou aquele vale, à passada do caminhante: é a condição para a revelação, é graças a ele que os descobrimos. Caminhar é sempre homenagear a paisagem."

18.12.25

Aldo Leopold, em "Pensar como uma montanha" (Maldoror, 2023):

"A capacidade de apreender o valor cultural da natureza selvagem reduz-se, em última análise, a uma questão de humildade intelectual. O homem moderno de mente superficial, que perdeu o seu enraizamento na terra, julga que descobriu já o que é importante; ele é do género de se pôr a palrar de impérios, políticos ou económicos, que hão-de durar mil anos. Só o estudioso compreende e aprecia que toda a história consiste em sucessivas excursões a partir de um único ponto de partida, ao qual o homem regressa uma e outra vez para organizar mais uma busca com vista a uma escala duradoura de valores. Só o estudioso compreende por que razão a crua natureza selvagem confere nitidez e significado à aventura humana."

17.12.25

Aldo Leopold, no seu livro "Pensar como uma montanha" (Maldoror, 2023):

"A terra portanto, não é meramente solo; ela é uma fonte de ehergia que flui através de um circuito de solos, plantas e anımais. As cadeias alimentares são os canais vivos que conduzem a energia para cima; a morte e a putrefacção reconduzem-na para o solo. O circuito não está fechado; alguma energia dissipa-se na putrefacção, outra é aumentada ao ser absorvida pelo ar, alguma é armazenada nos solos, na turfa e em forestas de grande longevidade; mas é um circuito permanente, como um fundo giratório de vida que vai lentamente aumentando."

06.11.25

David Byrne, no seu livro "Diário da Bicicleta" (Quetzal, 2010):

"Tenho cinquenta e tal anos, por isso posso confirmar que usar uma bicicleta para nos deslocarmos não é uma coisa apenas para os mais novos e enérgicos. Na realidade, não precisamos do spandex e, a não ser que o queiramos, andar de bicicleta não é necessariamente assim tão cansativo. É a sensação de liberdade — a sensação física e psicológica — que é mais persuasiva do que qualquer argumento em termos práticos. Ver as coisas de um ponto de vista que está suficientemente perto dos peões, dos vendedores e das fachadas das lojas, aliado a uma forma de nos deslocarmos que não se sinta como estando completamente divorciada da vida que ocorre nas ruas, é um puro prazer.

Observar e participar na vida de uma cidade — até mesmo para uma pessoa reticente e muitas vezes tímida como eu — é uma das grandes alegrias da vida."

05.11.25

David Byrne, no seu livro "Diário da Bicicleta" (Quetzal, 2010):
 

"Para Nova Iorque, Peñalosa recomendou que primeiro se imaginasse o que uma cidade poderia ser. O que uma pessoa desejaria que fosse, que poderia ser alcançado em cem ou mais anos. Tal como com as grandes catedrais góticas, temos de imaginar uma coisa que não vamos ver durante a nossa vida, mas uma coisa que os nossos filhos e netos poderão vir a conhecer. E isso também nos liberta da hipótese de descartarmos uma ideia rapidamente por ser considerada demasiado optimista ou pragmaticamente improvável."

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