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Posto de Escuta

Achados numa página ou rua algures.

Achados numa página ou rua algures.

13.01.25

Marcos Ana, poeta espanhol que passou 23 anos preso pelo regime franquista, dá conta, no seu livro "Digam-me como é uma árvore", de um dos subterfúgios de que se socorreu para fazer com que os seus poemas "saltassem" os muros da prisão e chegassem ao mundo:

"Tinha de fazer sair os poemas clandestinamente e utilizava diversas formas. Um guarda que vivia na Colonia Yagüe, vizinho de uns parentes meus, foi o meu caminho particular durante os últimos anos. Às vezes havia situações especiais na prisão e fechavam-se todas as saídas. Recorria então excepcionalmente a um procedimento curioso. Informava-me dos companheiros que dentro de uns dias ou semanas iam sair em liberdade, escolhia o mais idóneo e fazia-o aprender um poema de cor, para que uma vez livre o escrevesse e enviasse para uma direcção combinada. Fazia-o repetir várias vezes, um dia a seguir ao outro, até ter a certeza de que estava bem decorado. Mas o meu querido e voluntarioso camarada, com a emoção da liberdade, o encontro com a família e aturdido pela vida, quando queria cumprir o compromisso que assumira comigo esquecia alguns versos e resolvia o caso acrescentando da sua autoria algo parecido com o que esquecera. E quando recuperei a liberdade e viajei pelo mundo, encontrei com grande surpresa poemas meus com um verso que me era desconhecido, como um remendo, que me feria o ouvido e a memória."

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