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Posto de Escuta

Achados numa página ou rua algures.

Achados numa página ou rua algures.

31.10.25

Gary Snyder, no seu "A Prática da Natureza Selvagem" (Antígona, 2018):

"Mas Kerr detetou, com agudeza, que: 

Os desejos secretos nos homens transbordam em consonância com a forma como eles próprios se sentem... livres da cortina de cinismo que assumem em público. O seu profundo desejo criativo de serem mais do que meros trabalhadores obedientes vem ao de cima...  os homens são mais românticos, corajosos e poéticos no sigilo da escuridão... Ouvi um homem, aquele que de entre toda a tripulação usava a linguagem mais obscena, recitar o Cântico dos Cânticos para a escuridão e para o rumorejar do mar de encontro à proa do navio... Sozinho, o homem torna-se aquilo que seria se não fosse forçado a um molde. (The Eager Years: An Autobiography, 1949.)"

29.10.25

Gary Snyder fez este curioso parêntesis no seu "A Prática da Natureza Selvagem" (Antígona, 2018):

"Thoreau diz em Caminhada que uma área com trinta quilómetros de diâmetro será suficiente para ocupar uma vida inteira de minuciosa exploração a pé — nunca se conseguirá esgotar os seus detalhes."

28.10.25

"Neste mundo de imperfeições, é com boa vontade que acolhemos até as intimidades mais parciais. E se nele encontrarmos nem que seja uma pessoa com quem conversar abertamente, na companhia da qual não somos sequer obrigados a dissimular a ternura e a modéstia, não teremos motivos alguns para nos zangarmos com o mundo ou com Deus."

Excerto de "Os Prazeres dos Lugares Inóspitos", de Robert Louis Stevenson (Relógio D'Água, 2017).

27.09.25

Herman Melville produz uma imagem fabulosa da literatura logo no início de "Moby Dick" (Relógio D'Água, 2005):

"Ora estas tatuagens tinham sido obra de um vidente e profeta já falecido da sua ilha natal. Por meio destes hieróglifos, tinha escrito no corpo de Queequeg uma teoria completa dos céus e da terra e uma espécie de astúcia misteriosa acerca da arte de alcançar a verdade; assim sendo, o corpo de Queequeg era um enigma que tinha de ser decifrado, uma obra maravilhosa em um volume, mas não podia ler-se a si próprio, se bem que o coração vivo batesse debaixo da página; e estas misteriosas ciências estavam destinadas a apodrecer finalmente com o vivo pergaminho sobre o qual figuravam e condenadas a extinguir-se para sempre."

25.09.25

Erling Kagge, em "Silêncio na Era do Ruído" (Quetzal, 2016):

"Conta-se que o poeta místico Rumi escreveu: «Agora permanecerei em silêncio, e deixarei o silêncio separar aquilo que é verdadeiro daquilo que mente.»

24.09.25

Erling Kagge, em "Silêncio na Era do Ruído" (Quetzal, 2016):

"Criar silêncio é, por vezes, uma ação quase insignificante. Às vezes, basta-me escrever numa folha de papel os meus pensamentos dispersos para esvaziar a cabeça da sua presença. Depois, posso dar uma vista de olhos nas minhas notas para ver se há alguma coisa interessante a que eu deva dar continuidade ou simplesmente recordar."

23.09.25

Erling Kagge, em "Silêncio na Era do Ruído" (Quetzal, 2016):

"Sim, é verdade o que muitos dizem, que as distâncias são eclipsadas pela tecnologia, mas isso é um facto banal. O facto decisivo é, antes, como foi evidenciado por Heidegger, que a «proximidade continua a ser excecional». De forma a atingir a proximidade, de acordo com o ridicularizado filósofo, devemos relacionar-nos com a verdade, não com a tecnologia. Depois de ter tentado Internet dating (encontros pela Internet), estou inclinado a concordar com Heidegger."

22.09.25

Excerto de "Caminhar Uma Filosofia", de Frédéric Gros.

"Sozinho, depois de ter deixado as máscaras derreterem ao sol dos caminhos, Rousseau também sente nascer em si, transparente, um lago de compaixão. As horas de caminhada secam as invejas e os rancores, à semelhança do que fazem os lutos ou as grandes mágoas. (...) quando caminhamos, acontece algo diferente: não sentimos nada em particular pelo outro, nem agressividade mesquinha, nem fraternidade comunicativa. Apenas uma disponibilidade benevolente ante a infelicidade. O coração dilata-se espontaneamente perante o sofrimento como as pétalas banhadas pelo primeiro raio de sol."

21.09.25

Resumo delicioso de Maria Filomena Mónica da intriga de "Alves & Companhia", de Eça de Queirós, no seu prefácio (Relógio d'Água, 2024):

"De todos, é este o mais amoral dos livros de Eça. A heroína peca, mas acaba feliz. O gala comete adultério, mas continua na firma. O marido traído acomoda-se a tudo e tudo esquece. Os burgueses não tinham grandeza, nem fibra, nem estatura. Portugal surge como um pais banhado por uma maré suja, onde todos tentam sobreviver a qualquer preço. Teríamos de esperar alguns anos para que viesse a público a sua obra-prima, Os Maias, esta, sim, uma tragédia."

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