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Posto de Escuta

Achados numa página ou rua algures.

Achados numa página ou rua algures.

27.09.25

Herman Melville produz uma imagem fabulosa da literatura logo no início de "Moby Dick" (Relógio D'Água, 2005):

"Ora estas tatuagens tinham sido obra de um vidente e profeta já falecido da sua ilha natal. Por meio destes hieróglifos, tinha escrito no corpo de Queequeg uma teoria completa dos céus e da terra e uma espécie de astúcia misteriosa acerca da arte de alcançar a verdade; assim sendo, o corpo de Queequeg era um enigma que tinha de ser decifrado, uma obra maravilhosa em um volume, mas não podia ler-se a si próprio, se bem que o coração vivo batesse debaixo da página; e estas misteriosas ciências estavam destinadas a apodrecer finalmente com o vivo pergaminho sobre o qual figuravam e condenadas a extinguir-se para sempre."

25.09.25

Erling Kagge, em "Silêncio na Era do Ruído" (Quetzal, 2016):

"Conta-se que o poeta místico Rumi escreveu: «Agora permanecerei em silêncio, e deixarei o silêncio separar aquilo que é verdadeiro daquilo que mente.»

24.09.25

Erling Kagge, em "Silêncio na Era do Ruído" (Quetzal, 2016):

"Criar silêncio é, por vezes, uma ação quase insignificante. Às vezes, basta-me escrever numa folha de papel os meus pensamentos dispersos para esvaziar a cabeça da sua presença. Depois, posso dar uma vista de olhos nas minhas notas para ver se há alguma coisa interessante a que eu deva dar continuidade ou simplesmente recordar."

23.09.25

Erling Kagge, em "Silêncio na Era do Ruído" (Quetzal, 2016):

"Sim, é verdade o que muitos dizem, que as distâncias são eclipsadas pela tecnologia, mas isso é um facto banal. O facto decisivo é, antes, como foi evidenciado por Heidegger, que a «proximidade continua a ser excecional». De forma a atingir a proximidade, de acordo com o ridicularizado filósofo, devemos relacionar-nos com a verdade, não com a tecnologia. Depois de ter tentado Internet dating (encontros pela Internet), estou inclinado a concordar com Heidegger."

22.09.25

Excerto de "Caminhar Uma Filosofia", de Frédéric Gros.

"Sozinho, depois de ter deixado as máscaras derreterem ao sol dos caminhos, Rousseau também sente nascer em si, transparente, um lago de compaixão. As horas de caminhada secam as invejas e os rancores, à semelhança do que fazem os lutos ou as grandes mágoas. (...) quando caminhamos, acontece algo diferente: não sentimos nada em particular pelo outro, nem agressividade mesquinha, nem fraternidade comunicativa. Apenas uma disponibilidade benevolente ante a infelicidade. O coração dilata-se espontaneamente perante o sofrimento como as pétalas banhadas pelo primeiro raio de sol."

21.09.25

Resumo delicioso de Maria Filomena Mónica da intriga de "Alves & Companhia", de Eça de Queirós, no seu prefácio (Relógio d'Água, 2024):

"De todos, é este o mais amoral dos livros de Eça. A heroína peca, mas acaba feliz. O gala comete adultério, mas continua na firma. O marido traído acomoda-se a tudo e tudo esquece. Os burgueses não tinham grandeza, nem fibra, nem estatura. Portugal surge como um pais banhado por uma maré suja, onde todos tentam sobreviver a qualquer preço. Teríamos de esperar alguns anos para que viesse a público a sua obra-prima, Os Maias, esta, sim, uma tragédia."

20.09.25

"Neurobiologicamente, amor e o ódio são muito distintos? 
Parecem antagónicos, mas estudos de neuroimagem mostram que tanto o amor quanto o ódio activam áreas semelhantes no cérebro, ligadas a emoções intensas e comportamentos impulsivos. Ambos podem coexistir e até alternar-se em relações afectivas complexas. O oposto do amor, na neurobiologia, não é o ódio, mas a indiferença: esta não activa as regiões emocionais, e, por isso, representa o verdadeiro afastamento afectivo."

Luísa V. Lopes, em entrevista ao suplemento Ímpar, do Público (31/07/25).

19.09.25

"Cultura é o sistema de ideias vivas que cada época possui. Melhor: o sistema de ideias das quais o tempo vive."

Jose Ortega y Gass, citado na rubrica "Escrito na pedra", do jornal Público.

19.09.25

"Como qualquer ferramenta, também a tristeza tem um uso próprio. Há campos que só conhecem a abundância depois dessa lavoura."

José Luis Peixoto, citado na rubrica "Escrito na pedra" do jornal Público.

18.09.25

Gary Snyder, no seu "A Prática da Natureza Selvagem" (Antígona, 2018):

"Há dois tipos de conhecimento. Um é aquele que nos enraíza e nos situa na nossa verdadeira condição. Sabemos distinguir o norte do sul, o pinheiro do abeto, sabemos em que direcção pode ser encontrada a lua nova, de onde vem a água, para onde vai o lixo, como apertar mãos, como afiar facas, como funcionam as taxas de juro. Em si mesmos, conhecimentos deste género podem engrandecer a vida pública e salvar espécies em perigo. Nós adquirimo-los revivificando a cultura, que é um processo semelhante ao de reabitar: mudar-se para um terreno que foi mal usado e se encontra meio esquecido - e aí replantar árvores, desentubar leitos de rio, partir asfalto. Mas que fazer - dirão alguns - quando já não resta qualquer "cultura"? Resta sempre alguma tal como restam sempre (não importa onde) lugares e línguas. A nossa cultura reside na família e na comunidade, e ilumina-se quando começamos a trabalhar juntos, ou a jogar, a contar histórias, a representar"

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