27.09.25
Herman Melville produz uma imagem fabulosa da literatura logo no início de "Moby Dick" (Relógio D'Água, 2005):
"Ora estas tatuagens tinham sido obra de um vidente e profeta já falecido da sua ilha natal. Por meio destes hieróglifos, tinha escrito no corpo de Queequeg uma teoria completa dos céus e da terra e uma espécie de astúcia misteriosa acerca da arte de alcançar a verdade; assim sendo, o corpo de Queequeg era um enigma que tinha de ser decifrado, uma obra maravilhosa em um volume, mas não podia ler-se a si próprio, se bem que o coração vivo batesse debaixo da página; e estas misteriosas ciências estavam destinadas a apodrecer finalmente com o vivo pergaminho sobre o qual figuravam e condenadas a extinguir-se para sempre."