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Posto de Escuta

Achados numa página ou rua algures.

Achados numa página ou rua algures.

07.01.25

"Não escamoteemos o oculto, o corpo que se esconde nas franjas do visível. Há que olhar de novo o elemento imaterial que a Idade Média convertia em símbolo - figurar o que não se vê nem ouve nem palpa; ensaiar todas as chaves nessa porta que ninguém sabe onde está, «essa porta aberta (que) mostra apenas, defronte, uma porta fechada» (Pessoa). Por isso fico horas diante do mar a interrogar o caos, as fendas da sua lei. Faltam-me as palavras mas vou olhar até encontrar, regressar."

Casimiro de Brito, em "Arte da respiração".

07.01.25

"Estranha irrealidade, pensou Allen, que não baixara a cabeça. Olhou para os vultos paramentados e curvados do Hoshu e dos sacerdotes, e para a imagem acima deles. A presença sólida do Buda não o fazia parecer mais real que a deidade invisível uma igreja cristã, mas também não o fazia parecer menos real. Pois o ar do templo tinha algo de sagrado, não pela presença dos deuses mas pelas preces e lamentos daqueles que lá iam implorar, pedir, e procurar aquilo que não podia ser encontrado. A atmosfera da humanidade estava encerrada ali, procurando alcançar o além inatingível, suplicando a resposta que nunca é dada."

Pearl S. Buck, em "A flor oculta".

07.01.25

"Quanto menos coisas possuo, dizia Zeno, mais ligado me sinto a todas as coisas. E basta-me um calhau para agarrar o mundo, o calhau que devolvo às águas porque as minhas mãos devem permanecer vazias."

Casimiro de Brito, em "Arte da respiração".

06.01.25

Ainda Goethe, no seu diário de viagens por Itália:

Quero ver se faço em breve uma visita ao Jardim Botânico, e espero descobrir aí muita coisa. É bem verdade que nada se compara à nova vida que a observação de uma terra estranha proporciona a um homem pensante. Embora continue a ser o mesmo, acho que se está dar em mim uma transformação que me atinge até à medula.

06.01.25

Goethe, no seu diário de viagem a Itália, numa reflexão suscitada pela observação, salvo erro da minha memória, das intensas festividades do Carnaval de Roma:

"E se nos é permitido continuar a falar de modo mais sério do que o objecto parece permitir, reparamos que os maiores e mais vivos prazeres, como os cavalos que voam, só por um momento os vemos e nos tocam, quase não deixando vestígios na nossa alma, que a liberdade e a igualdade só no delírio da loucura podem ser nossas, e que o maior prazer só é verdadeiramente excitante quando chega bem perto do perigo e nessa proximidade sente o gozo lascivo das sensações mistas de medo e fascínio."

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