18 de Setembro de 2007
Abrupto 2.0
Como eu disse
abaixo, em resposta a um comentário, não acho realmente que o Abrupto precise de ser redesenhado. Quando criou o seu blog, em Maio de 2003, JPP escolheu um template "pré-fabricado" do Blogger. Quatro anos depois, o
Abrupto é o único exemplar ainda actualizado de um blog com esse template. O que era igual a tantos outros, tornou-se único e, não há outra maneira de o dizer, icónico. No mínimo, resistiu bem ao teste do tempo (o Posto já teve, desde 2003, mais de 5 templates).

Se não precisa de um novo template, porquê dar-me ao trabalho? Encarem isto como um exercício de design, um teste aos reflexos de quem se interessa por design e gosta de desmontar coisas e voltar a montá-las de outra maneira. Fala-se muito pouco de design na blogosfera, e esta é a maneira que encontrei de contribuir com qualquer coisa.
Quanto à escolha do blog. Escolhi o Abrupto porque,
1) é um dos poucos pontos de passagem na blogosfera portuguesa que a maioria das pessoas que lê blogs reconhece; é polarizador, mas imediatamente reconhecível, e designers gostam de "brincar" com objectos dessa natureza (lembram-se das
propostas para a nova bandeira da UE?)
2) é improvável que JPP aceite algumas das propostas que venham aqui a ser feitas, e só isso já soa a um desafio;
3)
ninguém fica indiferente ao Abrupto, até mesmo linká-lo (ou não), ao referi-lo, ganha contornos de um dilema para algumas pessoas;
4) leio e aprecio o Abrupto. Não é preciso ser-se o vizinho mais amável ou atencioso no bairro, para ter algo de relevante a dizer sobre a vizinhança, e JPP tem essa vantagem sobre a maioria: distanciamento (uma qualidade escassa na paisagem mediática, política, social, etc).
5) Há espaço para melhoramentos, e dado o número de leitores que atrai, algumas dessas alterações podem mesmo ser encaradas como estando a realizar um "serviço público" (tenho a certeza que muitos dos leitores do Abrupto apreciariam, por exemplo, uma página menos pesada e mais rápida ao abrir, melhores "permalinks", etc).
O
Carlos já deu os primeiros "toques":
- centrar a coluna dos posts;
- uma forma mais estruturada de apresentar os arquivos;
- introduzir um sistema de busca, para pesquisar o blog,
dada a quantidade de informação que o blog já reúne;
Concordo com as três ideias, sobretudo porque dizem respeito à própria organização e gestão do blog. O nível estético também é uma preocupação aqui, só que o design não se esgota na questão de como parece, mas também de como funciona.
Se tiverem mais ideias, deixem-nas nos comentários. Todo o feedback é bem-vindo.
De
jonasnuts a 18 de Setembro de 2007 às 19:20
hum.
Alinhaste o Blog à esquerda e puseste um cabeçalho vermelho.
Provocatório? :)
De
Pedro a 18 de Setembro de 2007 às 19:35
Não, o thumbnail (ui, né..) é como ele está actualmente. Para já, vamos por passos e definir como está, por que razão faz sentido sugerir outra coisa e só depois começar a mudar a mobília de sítio. Vai ser um work in progress. :)
Venho do Abrupto. Sempre que tenho oportunidade lá vou ver como param as modas. Tive ocasião de assistir ao lançamento de um seu livro em Leiria, há já uns anos atrás (quase 2?) e fiquei, na altura, a pretexto da conversa informal que se seguiu ao lançamento, a saber que já ia nos 3.000.000 de visitantes. Andava eu a dar os primeiros passos na blogosfera. Dois anos depois continuo a gatinhar sem saber bem o que ando a fazer por lá. Mas lá ando todo entusiasmado.
Quanto ao design do abrupto, acho muito bem (aliás interessante) que JPP mantenha aquele jeito, simples e culto ao mesmo tempo, de se apresentar no seu "template" já do tempo da Maeria Cachucha.
E, pelo que já tive ocasião de confirmar, não vale a pena tentar convencê-lo a fugir so seu rumo. Ainda que, pelo que lá li, JPP está na disposição de fazer umas mexidelas. Eu também comungo da opinião de que o Abrupto já se institituiu como um au`^entico serviço público.
António Nunes
De Filipe Duarte a 21 de Setembro de 2007 às 11:06
O que tenho notado, eh que o acesso ao blog ABRUPTO complica-se em computadores mais lentos, em casa acedo facilmente, diariamente, mas quando estou no meu velho portatil eh o unico blog (exceptuando aqueles que usam e abusam dos players embutidos) que se "arrasta".
De
Daniel a 22 de Setembro de 2007 às 08:53
O Abrupto precisa realmente de uma revisão gráfica e é uma excelente escolha para reflexão sobre design-web e a blogosfera portuguesa.
O blogue de José Pacheco Pereira pôs a blogosfera portuguesa no mapa, ou na estratosfera, como definiu o próprio um dia sobre o “mundo lá fora” dos blogues. É verdade que é um blogue pessoal, não profissional, digamos. Mas reflecte um imenso investimento próprio. E por isso, o Abrupto define a fasquia com que a nossa blogosfera é percepcionada pelo exterior e uma certa auto-exigência com que é olhada do interior.
Quão vasta é a blogosfera portuguesa? Decerto não tanto quanto o universo da blogosfera de língua inglesa, onde os blogues podem ser fontes de imenso “revenue” e constituir um produto altamente rentável. Num meio em que o tempo de atenção é tão curto, o investimento em web-design torna-se a moeda de troca; a mais valia que pode fazer o leitor parar para ficar. E na internet profissional o tempo também é dinheiro.
Não é isso, portanto, que se trata. O problema é que houve um enorme desenvolvimento da qualidade de formatos a que se assistiu na web nestes poucos anos de vida da blogosfera. Um aumento de qualidade que também em Portugal se devia repercutir. Daí a pergunta: qual a razão para a nossa blogosfera de referência não estar a acompanhar esta evolução de forma tão expressiva?
Podemos tentar esmiuçar algumas das razões. Nem todos têm disponibilidade para cair para dentro das miudezas dos templates nem são peritos em Photoshop. Mas arrisco a dizer que o problema é outro: uma questão quase de origem numa certa cultura académica – que a imagem não é uma questão superficial ou secundária, mas com forte intrusão na percepção do discurso; não apenas um “factor bling”, mas parte do registo e suporte da mensagem.
Observando a elevada qualidade gráfica da melhor blogosfera internacional, é quase impensável reconhecer que um blogue com a repercussão do Abrupto, com o número altíssimo de visitantes que mantém desde sempre, não se suporte num template original. Percebe-se que o design não seja uma prioridade de JPP que preza o discurso como o seu essencial. Mas a sua ausência é também reveladora de uma falta de predisposição intrínseca – que é generalizada e extensível ao universo da cultura académica fora do mundo “das artes”. O caso é, por certo, mais grave, quando se trata de profissionais da área da comunicação, como o péssimo exemplo do blogue dos “Gato Fedorento” – com um template base do Blogger e cores pastelosas. O problema não está apenas na pobreza de imagem; é antes que um conjunto talentoso de profissionais do meio mediático se sinta representado por uma coisa daquelas quando a sua dimensão pública justificaria uma página de nível muito superior. Veja-se, à sua escala, o bom exemplo do “Há Vida Em Markl”.
As razões para uma revisão gráfica do Abrupto seriam essencialmente duas:
1) Legibilidade - minimalismo não é basismo; existe uma grave falta de estrutura formal do Abrupto, que o recente incremento de número de imagens publicadas veio agravar.
2) Navegabilidade- um blogue com tão extenso conteúdo de texto já devia ter uma agregação por sectores (tags), arquivo temático, motor de busca interno.
Para concluir, dizer apenas que alguns excelentes blogues, nacionais e internacionais, dispõem de templates standard, que tão só uma cuidadosa edição de texto e imagem tornaram referências. Olhe-se, para começar, para o excelente “Rua da Judiaria”, que ainda hoje mantém o velhinho template Kubrick. A qualidade visual de um blogue sustenta-se afinal no equilíbrio da composição e edição, mais do que na habilidade de cada um em ser um feiticeiro do CSS ou do software gráfico.
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